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Cesar Augusto Mota Jornalista e crítico de cinema há mais de cinco anos. Apaixonado pela sétima arte e DNA 100% cinéfilo, com título de premiação até no nome. Séries e games nas horas vagas

Nomadland

Filme da cineasta chinesa Chloé Zhao concorre ao Oscar 2021 nas categorias Melhor Filme, Direção (Chloé Zhao), Atriz (Frances McDormand), Roteiro Adaptado, Edição e Fotografia

A vida é feita de ciclos e é necessário seguir em frente. A depender da situação, o desapego pode ser algo difícil de se alcançar, mas quando há o apoio de outras pessoas, o desafio é menos tortuoso. Isso é o que vemos em ‘Nomadland’, escrito e dirigido por Chloé Zhao, que busca mostrar ao espectador que ajudar outras pessoas, além de alentador, eleva a alma e faz a vida ser mais emocionante, intensa e prazerosa. O destino é algo secundário, o mais importante é viver, de acordo com a obra de Zhao ao longo de seus 107 minutos.

A história se passa alguns anos após a grave crise econômica que assolou os Estados Unidos em 2008, e acompanhamos Fern, vivida por Frances McDormand, que passa a viajar pelas estradas em sua van após a morte do marido e o fechamento da fábrica de gesso que sustentava sua cidade, Empire. Ao longo do caminho, ela conhece outros nômades e vai vivendo normalmente em meio aos trabalhos que consegue, dentre eles o de empacotadora da Amazon. Muitas histórias de saudade e dor são contadas, e lições são tiradas das dificuldades que a nova vida impôs a todos esses andarilhos, principalmente, Fern, que se denomina “sem casa” e não “sem-teto”.

O roteiro de Zhao, inspirado em uma obra de Jessica Bruder, procura mostrar situações difíceis enfrentadas pelos personagens de uma forma simples e direta, e envolver o espectador nelas, em vez de este ser um mero observador. A lente capta o que é mais verdadeiro e ilustra o que a vida foi capaz de fazer com esses trabalhadores. A interação de Frances McDormand com não-atores, principalmente Swankie e Linda May, se deu de forma fluida e autêntica, e fez um excelente contraponto com o momento político e econômico do momento, que é semelhante aos dias atuais.

Não só o desapego, mas temas como desigualdade social, injustiça e luto são retratados, bem como as dificuldades que a vida nos impõe. O longa mostra uma protagonista forte, de personalidade e com uma incrível disposição para enfrentar as barreiras que lhes foram impostas. Pelas suas expressões faciais, percebe-se um alto grau de sensibilidade da personagem-central para com as pessoas que vivem sua situação ou até pior, como Swankie, doente terminal. Seu tato para superar adversidades, além de busca pela sensação de liberdade despertam sentimento de leveza e admiração pela atuação de Frances McDormand, que se mostra bastante segura no que se propôs a fazer e a mostrar ao espectador.

Além de atuações de destaque e diálogos reflexivos, Nomadland também chama a atenção pela fotografia, que apresenta grandes contrastes. Imagens do deserto com pouca luz e outras de pôr do sol representam um misto de dramaticidade, mas também de sonho e esperança. Há momentos de alento ao longo dessa jornada frenética, e importantes mensagens, como “o que é lembrado, vive” e “vejo vocês pelo caminho”, em vez de “adeus”. O filme, que possui alta carga dramática, ganha um ar poético com as paisagens ilustradas ao longo das viagens de Fern em sua van e das palavras tecidas em diálogos sinceros e leves.

Forte, comovente e inspirador, ‘Nomadland’ é um longa com uma jornada emocionante e recheada de aprendizado, com o público como personagem da trama. É o retrato da vida real, com uma linguagem para todos os públicos e imagens que falam por si só. Não é à toa ser favorito à temporada de premiações recém-iniciada.

Avaliação: 5/5 estrelas.

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