Melhor do Cinema
MENU

Tina Turner: Documentário retraça a vida da cantora da violência à independência

Em duas horas, o filme reuni raras imagens de arquivo e entrevistas inéditas.

O documentário que estreia no próximo dia 27 na HBO retraça a vida da menina Anna Mae Brown, nascida nos campos de algodão no Tennessee, que aos 20 anos já cantava blues e black gospel ao lado de seu futuro marido Ike Turner.

Tina, que desde cedo chamou a atenção por sua postura  explosiva nos palcos, misturava o carisma de Diana Ross e a voz potente de Aretha Franklin.

Grande parte do filme, se dedica à relação abusiva de Ike e Tina, dupla de sucesso entre 1957 e 1976 quando, segundo ela conta no filme, “um dia, num quarto de hotel, fiz massagem nas costas para ele dormir. Quando ele pegou no sono, fiz minhas malas e nunca mais voltei”.

“Respeito é o que eu quero. Acho que a maioria quer. Mas muitas vezes não conseguimos aquilo que queremos. Especialmente nós mulheres. Já os homens não. Eles fazem o que querem, na hora que querem”, desabafa uma das maiores cantoras do século 20, durante um show nos anos 1970, numa imagem rara de arquivo do documentário Tina, de Daniel Lindsay e T.J. Martin, que estreou nesta terça no Festival de Berlim.

Nome imposto

Foi com um alargador de sapatos que Ike bateu em Tina pela primeira vez. Com apenas 22 anos, a cantora apareceu para a imprensa com o rosto inchado e um olho vermelho. No filme, algumas fotos da época comprovam o fato, e lembra uma tentativa de suicídio da artista. Foram anos de culpa e medo até conseguir se livrar de Ike que, amparado por poderosos advogados, não lhe deixou nenhum patrimônio na separação, a não ser o nome Tina, que ele deu a ela porque era fã da série Sheena: Queen of the Jungle. (Detalhe: Ike fez a mudança de nome sem consultar Anna Mae para saber se gostava dele).

Se hoje suas músicas estão entre as mais tocadas de R&B, em 1966, não foi assim. Tina tentou um single solo com “River Deep Mountain High” mas foi um desastre, fato que o produtor Phil Spector atribui ao pouco interesse dos brancos por uma nova cantora negra.

O episódio a enfraqueceu e a fez voltar para Ike. Só em 1976 Tina começou de fato a construir sua carreira solo aos trancos e barrancos. Mas o que mais a torturava, era a imprensa da época, que só sabia perguntar a uma mulher negra sobre o seu período de abuso e violência doméstica.

Mas para chegar ao ponto de se livrar das perguntas da mídia, e aconselhada por seus agentes, Tina lançou uma autobiografia no início dos anos 1990, que logo rendeu um filme em que ela foi vivida por Angela Bassett (Tina – A verdadeira história de Tina Turner, de 1993).

Mesmo sozinha, a carreira não foi de todo tranquila. Um produtor lembra como ela odiou gravar seu primeiro grande sucesso, “What’s love got to do with it?”, porque a considerava pop demais, e ela queria seguir um estilo mais rock.

A meia hora final perde em informação, mas ganha em emoção, narrando a história de uma mulher que demorou para conquistar o respeito do show business, e que finalmente encontrou o amor em 1986 com o produtor musical alemão Erwin Bach, com quem é casada até hoje.

Se Rihanna, Beyoncé e Alicia Keys e tantas outras cantoras negras são hoje devidamente respeitadas no showbiz americano, isso se deve muito ao caminho tortuoso trilhado por Tina.

Confira o trailer do filme:

Gostou? Compartilhe!

Saiba mais sobre:
Nossos grupos do
WhatsApp e Telegram
WhatsApp Telegram